UOL Blog - Comentários

Você já tem o seu blog? Não?
Então crie o seu. É de graça.


[Juliana Cunha] [http://radiometropole.com.br/julianacunha/] [Salvador, Bahia]
O que vem a ser um blog público? Um blog que qualquer pessoa pode ler e que não tem fins profissionais? Uma grande parcela dos blogs públicos (se blog público é isso que defini) é escrita por jornalistas. Tanto os blogs sobre política quanto aqueles que falam de celebridades, moda, literatura ou simplesmente falam da vida. Nesses blogs, os autores inevitavelmente se posicionam sobre produtos, empresas e pessoas públicas. Isso fere a credibilidade no caso de um jornalista? A cena do assessor de imprensa imprimindo trechos do blog também pode ser vislumbrada com comunidades no Orkut ou Facebook e declarações no Twitter, mas será que o editor está certo em dar ouvidos a isso? Se um assessor de imprensa prova que eu não gostava de determinada pessoa pública antes de entrevistá-la isso faz alguma diferença? Se as aspas estão corretas, a checagem foi feita e os dois lados da notícia foram apresentados, que diferença faz se o assessor prova que o repórter nunca foi com a cara do entrevistado?

14/01/2009 00:21

RESPOSTA:
Juliana, claro que em tese o que importa é a exatidão e o equilíbrio da matéria que a gente faz. E claro que todo mundo tem opinião, mas é capaz de fazer um esforço para impedir que ela afete seu trabalho cotidiano. Mas não vivemos num mundo ideal e, como disseram outros leitores, credibilidade --que característica mais sujetiva, não?!?-- é algo fundamental na nossa profissão. Pode haver problemas, por exemplo, quando, por descuido, nossa matéria deixa de citar algo, ou, sem querer, comete um erro. Você sabe que isso pode acontecer com qualquer um. Todo profissional erra; jornalista não é diferente, e, se for num veículo diário ou on-line, então, piorou. Mas, se você publicou opiniões francamente desfavoráveis ao mesmo personagem que acabou prejudicado na sua matéria, até provar que papagaio não é frango o bicho já foi pra panela...

[Cris] [SP/SP]
Falei demais e já me enrolei toda, mas acho que ficou mais ou menos inteligível, né. De qualquer forma, tudo depende da argumentação... Espero que, se algum dia eu for colocada contra a parede, esta minha argumentação seja convincente =)

13/01/2009 19:50

[Cris] [SP/SP]
...podar a opinião pessoal do repórter em benefício da isenção possível. Ouvir o outro lado (não só isso, mas contemplá-lo da melhor forma possível na edição), cortar adjetivos, admitir a queda drástica de uma pauta, não forçar a mão nas "teses". Qualquer assessor de imprensa tem o direito (e até dever) de reclamar de um repórter que não observou essas ferramentas ao construir sua reportagem, mas não pode reclamar pelo mesmo repórter ter escrito, há quatro anos, num blog pessoal, opiniões pessoais, se sua reportagem tiver seguido o padrão jornalístico recomendado. Aí já vira falta de caráter. Ou desculpa para não atender o repórter, por outras razões. É importante dizer que, mesmo no tempo do blog, eu deixei de publicar diversos textos depois de ouvir ou pesquisar o outro lado. A simples convicção pessoal não é pauta, e isso é básico. [Embora eu acredite que os repórteres mais "narigudos" e fuçadores sejam justamente aqueles com mais convicções e desconfianças].

13/01/2009 19:49

RESPOSTA:
Cris, obrigada por contar sua história. Seus argumentos são bem defendidos. Ana

[Cris] [SP/SP]
...páginas de histórico ainda estão abertas para consulta. A tal "vida pregressa". Se alguém esmiuçá-lo, poderá encontrar opiniões pouco embasadas de uma menina de 17 anos, seu amadurecimento (espera-se!), contradições de quem mudou de opinião frequentemente. [Sempre com um cuidado de evitar constrangimentos e motivos para processos por calúnia e difamação...] Mas, ainda, com algumas opiniões (não só). Tenho um certo orgulho do meu blog porque ele não serviu só como um antro de achismos, mas foi exercício pessoal de pauta, pesquisa, crítica e, principalmente, desconfiança. Exercício que foi muitas vezes explorado ao longo do curso de Comunicação e levou a mais e mais aprendizado. Enfim, voltando ao foco. Ao fazer uma reportagem, as preocupações são diferentes daquelas de quem posta num blog. As exigências, idem. Numa reportagem, posso partir de um pressuposto crítico para embasar uma apuração, mas não posso vazar a crítica para a construção do texto. Há várias ferramentas para...

13/01/2009 19:49

[Cris] [SP/SP]
Me vejo obrigada a dar pitaco nesta discussão que, como tantas outras, não tem certo-errado. É que mantive um blog de política durante os cinco anos da universidade e acabei decidindo por fechá-lo ao entrar no jornal. Eu concordo com a Ana e o Alec, em parte. Acho que, a partir do momento que o repórter é contratado, seu nome passa a ser imediatamente associado ao do veículo que o emprega [ressaltando o "a partir do momento"]. Por isso é preciso tomar cuidado com o que se publica extrajornal. Não adianta comparar qualquer repórter com um colunista, habituado a (e às vezes pago para) dar opiniões. O maior patrimônio de um jornalista é sua credibilidade (junto ao leitor, ao editor e, por que não, ao assessor de imprensa da fonte). Se a maneira como o texto do blog estiver escrita puder abalar a credibilidade de um trabalho jornalístico, e seu esforço de isenção, há o ônus. Por outro lado, é possível e acredito que há que se saber separar o joio do trigo. Meu blog acabou, mas suas mil...

13/01/2009 19:48

[Fe] [Brasil]
Oi,Ana!Voltei so p/dar + uma opiniao.Eu moro em um dos paises mais liberais do mundo.Ha aqui um esforco enorme p/q todas as pessoas sejam respeitadas (mesmos direitos e deveres a todos).Ha dois meses tivemos eleicoes parlamentares aqui. Dois politicos(uma do partido liberal e outro do conservador)n puderam dar continuidade a suas campanhas.Motivo:a 1º em um blog afirmou q judeus contribuiram p/os atentados terroristas nos EU (sem provas);o outro escancarou sua opiniao sobre homossexuais e outras minorias.Os lideres dos partidos "pediram" p/os dois desistirem.Nao so jornalistas, todos devem ter cuidado c/o q colocam na net.Grandes empresas ja comecaram a pesquisar a vida de futuros funcionarios na net.Isso e certo ou errado?Eu so sei q nao e ilegal,pois essas info.estao la p/todos.Se vc fala sobre a sua vida pessoal em detalhes,isso demonstra q vc nao e mto discreto,talvez,vc nao sera contratado por isso caso seja importante p/ a posicao essa caracteristica. Think before...

13/01/2009 17:58

[Luisa] [Rio]
Oi Ana, Uma curiosidade que mostra o quão apaixonada é essa discussão sobre conflitos no Oriente Médio e o perigo de pôr no ar opiniões sobre isso: a mesma repórter vem sendo "metralhada" também por boa parte da comunidade judaica, que diz achar que ela está fazendo uma cobertura totalmente parcial e desequilibrada, mas contra Israel! bjs, Luisa.

13/01/2009 15:50

RESPOSTA:
pois é...

[Alec Duarte] [http://webmanario.wordpress.com] [São Paulo]
Povo, Mandei a discussão lá pro Webmanário tb. O resumo da ópera do que eu acho é: tome cuidado com sua vida pregressa on-line. O jornalismo é uma atividade pública. Usar um site pessoal para tomar posições políticas, religiosas e até sobre futebol (sobre futebol, aliás, evite, sua vida pode virar um inferno) exige ter a consciência de que certamente haverá um ônus. abs a todos

13/01/2009 14:17

RESPOSTA:
Obrigada, professor! Ana

[Roberto Takata] [www.biomagister.com/openbooks] [sao paulo]
"Mas, desculpe se vou soar arrogante, a maior parte das opiniões é mero achismo." Oi, Ana, concordo, quase toda opinião não passa de achismo. Mas, de um lado, ao expressá-la e entrar em contato com contra-argumentações, esse achismo pode se desenvolver para ideias mais bem embasadas - ou mesmo mudar de opinião. De outro, achismo ou não continua a exercer influência potencial sobre o trabalho do repórter. Outra analogia possível é com jornalistas esportivos como o Juca Kfouri que não escondem seu time de coração, mas ainda assim demonstram capacidade de exercer críticas severas ao que vê de errado a respeito do clube. Ou os próprios jornalistas-colunistas que expressam suas opiniões no próprio jornal. []s, Roberto Takata

13/01/2009 11:27

[Roberto Takata] [www.biomagister.com/openbooks] [sao paulo]
Só opinião minha. Para mim é mais honesto o repórter escancarar sua opinião (no espaço adequado) a respeito de um dado tema. Opinião quase todo mundo tem sobre qualquer tema, é praticamente inevitável. Fingir que não tem ou ocultar a opinião não faz com que ela não exista. Se o leitor tem acesso a essa opinião, terá mais um elemento para avaliar o material do repórter. E o repórter tendo aberto sua opinião, terá mais um elemento para que procure se ater aos fatos em seu trabalho de repórter. Basta pensar em um caso análogo, um juiz de futebol que seja torcedor fanático de um time - jornalisticamente será um elemento importante de se mencionar na análise da atuação desse árbitro em uma partida que interesse a esse time. E é o que faz a Folha explicitar que determinada viagem do repórter foi bancada pela empresa tal. []s, Roberto Takata

13/01/2009 10:37

RESPOSTA:
Roberto, tudo depende da pessoa, da opinião, da área que ela cobre e tudo o mais. Mas, desculpe se vou soar arrogante, a maior parte das opiniões é mero achismo. Então, na balança, entre ficar marcado como X ou Y e omitir sua opinião, prefiro ficar na segunda coluna. Mas, como eu disse, cada um que escolha o que quer fazer.

[Tai] [Rio]
Aliás, é muito doido isso. Acho que faz parte mesmo é de uma espécie de conflito de gerações. A turma toda que está entrando no mercado de trabalho agora, por exemplo, tem noções de público e privado muito diferentes das das gerações anteriores. Saber lidar com isso é uma particularidade do jornalismo atual.

13/01/2009 10:12

RESPOSTA:
Tai, não acho que seja conflito de gerações neste caso. Gente nova sempre teve muita "opinião" e muita vontade de expressá-la. O problema é que agora esses arroubos ficam gravados para sempre e, um dia, podem se voltar contra você...

[Chico Felitti] [São Paulo]
Acho um absurdo e uma grande violação de subjetividade julgar um jornalista por seu blog pessoal. Ou até mesmo cogitar misturar essas duas estações. Afinal, no veículo ele é pago para ser o mais objetivo e imparcial possível, mas há estrutura e práticas definidas para que seu texto saia da maneira que a empresa de comunicação quer. É o recorte de mundo do jornal, e não da pessoa. Esperar que o profissional siga o manual da firma em cada linha que escrever "off duty" é exigir que leve a imparcialidade para casa, coloque-a na cama e dê beijo na testa antes de dormir. É tirar os direitos de autonomia de pensamento, de livre expressão e, por que não, de defender seus ideais. Acho sofisticada a solução da Ana, de pensar e não externalizar. Mas não sou tão matreiro assim. Talvez seja a falta de chão. Se a analogia cafona for válida, ninguém cobra magreza de endocrinologista.

13/01/2009 09:36

RESPOSTA:
Chico, mais ou menos. De fato, um endocrinologista ser obeso não faz dele um médico menos competente, mas pode ter certeza de que ele perderá clientes. Assim como um pediatra que tem um cinzeiro sujo sobre a mesa. Acho que o jornalista precisa ter consciência de que deixar "opiniões" gravadas para sempre na internet pode, um dia, ser um problema. Não adianta esperar um mundo ideal em que todo mundo entenda que "ah, aquelas são só minhas opiniões no mundo pessoal, mas eu sou um repórter isento".E cada um que faça suas escolhas. Só isso.

[Ivy Farias] [www.deliriosinsanosdeivyfarias.blogspot.com]
Como assim, imprimir as páginas do blog e mostrar para o editor? Não temos o direito de separar o lado pessoal do profissional e manter um blog com o que pensamos? Eu tenho um blog e, apesar de trabalhar escrevendo, considero as duas atividades completamente diferentes (tá certo que meu blog é só de besteira). Enfim, acho que temos que tomar cuidado para que o nosso espaço não influencie o nosso trabalho, mas também não podemos deixar que nosso trabalho tome conta e pare as nossas vidas. Uso como paralelo o Orkut: uma amiga cobre futebol e tem um Orkut, onde participa de comunidades do Corinthians. Não preciso nem dizer que os internautas entram na página dela para falar todo tipo de desaforo, só porque ela cobre o São Paulo e eles sabem que ela torce para o Timão! Questões políticas sobre a faixa de Gaza e as dos gramados trazem discussões inflamadas...mas até ai a invadir o espaço ou usar contra o jornalista aquilo que ele expressou como "pessoa física"... acho demais!

13/01/2009 09:31

RESPOSTA:
Ivy, acho que o problema é principalmente quando se cobre política (incluindo política externa). Mas, como eu disse, vai depender do caso, do jornalista, do blog, das opiniões, de tanta coisa...

[Tai] [Rio]
Ana, concordo contigo, sem dúvida. Principalmente porque acho que ninguém precisa de blog. Mas também entendo que tem muita gente que quer um espaço para chamar de seu. Sendo ponderado, tendo bom senso, pode vir a ser algo positivo, às vezes. Dar a cara a tapa é também um exercício de transparência, creio. Claro, com cuidado, sempre. Vale a pena? Acho que, para mim, valeu. :) E acho que me expressei mal no comentário anterior. Em vez de "exercício de crítica" deveria ser "exercício de análise".

13/01/2009 09:29

RESPOSTA:
Sei que estou parecendo radical. Claro que todo mundo tem direito de botar a boca no trombone. Só queria avisar que o mundo real não é como a faculdade... Bjs

[Fe ] [Brasil]
Ana,gostei da sua resp ao 'Tai'. A critica melhora na proporcao do q a gente ouve(+ le, estuda...).Ha pessoas q tem blogs em sites de noticias(ex.UOL)q falam sobre tudo, desde politica a culinaria. O leitor deve saber identificar quem esta dando realmente uma noticia e ao mesmo tempo opinando, daquele q esta so opinando. Ha materias q sao apenas descritivas,sabemos sua funcao. Acho graca qdo o jornalista profissional se propoe a falar de algo e n consegue se explicar bem por falta de coragem de tomar uma posicao. Se vc tem bons argumentos o seu raciocinio sera entendido,n necessariamente apoiado. Falar contra as cotas universitarias(em breve 50%)n significa desprezo aos pobres, negros,etc. Se vc conseguir explicar q vc e contra pois acha q o gov deveria investir + em edu publica e q nenhum pais q quer alcancar a tal prosperidade investe so 4%(+/-)do PIB em edu c/o Brasil faz,talvez, mtos entenderao a sua opiniao. Nao precisa ter medo de ser chamado de racista,egoista,etc. BYE!

12/01/2009 21:05

RESPOSTA:
Fe, é o que acho também. Ana

[Galeno Lima] [Florianópolis]
Bom, eu conheci a moça por causa da polêmica. Não acompanho a cobertura dela, então não tenho ideia se é equilibrada ou não. Agora, o falecido blog não tem nada de inofensivo, muito pelo contrário. Fala mal de palestinos, de brasileiros... pega pesado mesmo.

12/01/2009 20:20

[Priscila] [BH]
É, Ana, no fundo eu entendo. Ossos do ofício...

12/01/2009 19:33

[Priscila] [BH]
Faz sentido isso de jornalistas evitarem blogs opinativos para prevenir futuros problemas com uma ou outra matéria. Mas ter opinião e ser meio que obrigado a guardá-la só pra você chega a ser até meio cruel, não? Opinião é igual bicho, não pode ficar presa, tadinha...

12/01/2009 18:29

RESPOSTA:
Priscila, é uma questão de pesar custo e benefício... Ana

[monica] [sbc]
É uma pena isso porque eu acho que são pessoas que teriam as melhores opiniões pra dar (mesmo sendo relativo -o que é legal pra um pode ser ruim pra outro). Também é bom ouvir opinião diferente da nossa.

12/01/2009 17:09

[Tai] [Rio]
Existem blogs e blogs. Um blog ponderado é bastante diferente de um blog panfletário, por exemplo. Manter um blog é bacana como exercício de crítica, eu acho. De crítica, repito, mas não de persuasão. Aí acho que corre o risco de queimar o jornalista mesmo.

12/01/2009 16:59

RESPOSTA:
Tai, claro, depende do blog, do assunto, dos textos. Mas acho que jornalista deve tomar muito cuidado pra não ter telhado de vidro. Além do mais, não é preciso blog para exercitar a cr´´itica. O que é preciso, mesmo, é ler muito e estudar muito. A crítica não melhora na proporção do que a gente fala e sim na proporção do que a gente ouve.

[Renato Rios Neto] [Belo Horizonte]
É...já pensei nisso. Eu tinha um blog no qual eu expunha bastante minha opinião sobre política e sobre políticos em geral! (principalmente os de Minas)hehe Agora trabalho em um veículo relativamente grande em BH e achei melhor deixar o blog pra lá, pelo menos com o meu nome, para evitar esse tipo de dor de cabeça. Eu fiquei na dúvida se isso seria covardia da minha parte, mas acho que foi apenas um jeito de evitar dor de cabeça mesmo. Será que fiz bem?

12/01/2009 14:53

RESPOSTA:
Renato, acho que sim


Deixe seu comentário
 
Nome *
E-mail *
Site/Blog 
Cidade, Estado e País *
Comentário:

 Caracteres restantes : 1000

Atenção: Conheça as regras de uso do blog.



[fechar a janela]